De Anónimo a 26 de Maio de 2004 às 23:49
P/Filipe: bom, penso que não percebeste o meu ponto de vista. Quando digo que quero ter o direito de decidir sobre a figura máxima do Estado, refiro-me a uma decisão *de 5 em 5 anos*, não de dinastia em dinastia ! Quanto à questão da imparcialidade, é mais que óbvio que ela existirá sempre, tenhamos presidente ou rei; qualquer uma das figuras é antes de mais um ser humano, com preferências ideológicas, políticas, ou ainda passível de manipulação ou até, em caso extremo, de corrupção. Por isso, o que está aqui em questão é qual o sistema que nos garante maior fiabilidade; aí escolho sem qualquer dúvida um sistema eleitoral, que me dê a hipótese de periodicamente escolher quem considero mais apto para o cargo; e não, repito, a estar preso por heranças de sangue que por alguma misteriosa razão me dizem que X, só porque é um tipo que nasceu da família Y é um fulano adequado para estar à frente de um país! Quanto à própria dinâmica de umas eleições, do dinheiro dispendido, dos boys, etc, há apenas um comentário que faço: ainda bem! Significa que por enquanto temos um sistema minimamente democrático, ao contrário da larga maioria do planeta. E significa que por muitos defeitos que tenha (como é o caso dos boys e de muito mais) há a possibilidade concreta de o melhorar continuamente. E isso pode começar por cada um de nós, e não por aquela figura imaginária de ombros largos que é o Estado.
Em relação à questão dos países que apontei como exemplos, vou por partes. SUIÇA: não vejo em como qualquer um dos aspectos que indicaste possa beliscar o facto de a Suiça ser de facto uma excelente economia; não está na UE por sua própria decisão e subsiste melhor que muitos países da comunidade, o que é admirável; e quanto a ser neutra na 2ªGuerra, não vejo o que é que isso tem a ver com a questão. Olha, a Suécia, que é um dos países que indicaste no post fez a mesmíssima coisa...
FINLÂNDIA: quem ler a tua resposta fica a pensar que nas monarquias o dinheiro cresce no chão por geração espontânea, e que o sucesso de um país nunca passará pela sua inteligência política... É mais que natural que a Finlândia aproveite a sua situação geopolítica para fazer crescer a economia !, estranho seria se acontecesse o inverso. No entanto esta vantagem é relativamente recente, uma vez que só se dá com a queda da cortina de ferro, que é relativamente recente... Mas não é isso que aqui se discute; o que se discute é se os países têm sucesso económico ou não, independentemente de serem monarquias ou repúblicas. Pois bem, a Finlândia tem-no.
ALEMANHA e FRANÇA: neste momento *dominam* a Europa comunitária, e quando esta começar a dar os frutos da expansão para Leste, estes dois países estarão na linha da frente para usufruir dos dividendos.
EUA: mais uma vez, o dinheiro não cresce do nada. Os EUA têm uma gestão eficiente e é *apenas* isso que interessa para este assunto. Quer se concorde moralmente com ela, ou não. Quanto ao sistema eleitoral dos EUA, é isso mesmo, o sistema eleitoral dos EUA. É o modo como as coisas estão definidas, e à luz da lei estas presidenciais foram válidas. Os mais aptos a julgarem o sistema são os cidadãos americanos, e são só eles que têm a capacidade de alterar as coisas.
PAÍSES DE LESTE: ao contrário de ti, eu não tenho quaisquer dúvidas que estes países têm *tudo* a beneficiar da entrada na UE. Têm localizações comercialmente invejáveis e os fundos estruturais europeus, para além da entrada num mercado comum, vão ser o que faltava para estes países evoluírem para o nível actual da Europa comunitária. Se calhar não chegarão ao nível dos gigantes mundiais mas relembro-te que não é isso que se pede nesta discussão; o que se pede é que construam boas economias, *sem monarquia*, e que é o que estão a fazer. Quanto à má situação de Portugal, não se deve à sua pertença na UE, mas sim ao uso desastroso dos fundos comunitários em jobs; subsídios para aplicar em jipes, vivendas e offshores; e claro, os paradigmáticos estádios. Para além disso, Portugal tem a oportunidade de se tornar uma forte ponte de ligação comercial entre Europa e América e parece insistir em perder terreno para Espanha e Irlanda...
Mudando de assunto: em relação às eleições europeias, é claro que vou votar porque senão era contra-senso estar aqui a advogar a democracia. E quanto ao teu "Mais perguntas?" final, lamento dizer-te que no meu comentário ao qual respondeste não te fiz qualquer pergunta, a não ser um simpático "tudo bem?". Pergunto-me se era a isso que te referias.Rui
(http://devaneiosdecaim.blogspot.com)
(mailto:rui_garrido@yahoo.co.uk)
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